sexta-feira, 24 de abril de 2009

Jogo

"Pûs o primeiro pé na grande escadaria circular"

***

De súbito, foi como se tivesse sido lançado e presentei-me num outro lugar.

Seria longe da escadaria? Indeterminado: teoricamente a escadaria não existia.

O lugar era completamente diferente de onde viera. Encontrava-me no meio de uma festa de anos, e á primeira vista era infantil. Tinha balões coloridos á volta do compartimento, fitas e brinquedos. A comida era simplística. Não pude deixar de reparar que sentia uma forte presença de Dèjá-vu.

Um aglomerado de pessoas juntava-se á volta de uma mesa. Na cabeceira desta, encontrava-se um rapazinho confuso sem perceber o que se passava alí. Olhei de relance para as velas. Estas diziam-me que o rapazinho realizava o seu primeiro ano. Não reparei no nome do aniversariante que vinha no bolo.

-Que festa espectacular que está a ser não achas? - Esta pergunta foi dirigida intrisicamente a mim, de maneira a que eu dei um pulo. A voz continuou - Parece que toda a gente se está a divertir.

-Desculpe, mas o senhor está a dirigir-se a mim? - Perguntei. O homem apresentava feições sorridentes, e umas vestes compridas. 

-Se me estou a dirigir a ti? Penso que sim, no entanto  tanto eu como tu podemos estar a alucinar, e essa certamente seria a conclusão mais lógica. Mas penso que ambos não acreditamos que isto seja um sonho, estarei errado?

-Pois...penso que não. E penso que também seria uma pergunta um pouco parva perguntar quem é o senhor não é? - respondi de maneira a parecer um maluco a achar essa possibilidade sequer plausível.

-Já estamos a aprender! - respondeu sorridentemente, enquanto me piscava o olho. Fez uma breve pausa. - Já notaste alguma coisa em particular deste lugar?

Realmente, tive que pensar numa resposta a essa pergunta. Eu tenho tido uma noção de Dèjá-vu durante a "festa", mas para além disso...

-Nada de muito notável. - decidi responder

-Então sugiro que olhes á tua volta com maior pormenor em vez de apenas agarrares-te ao Dèjá-vu. - respondeu com  "ênfase nos olhos", dirigindo-os ao bolo de aniversário como quem me quer indicar alguma coisa. Penso que a minha resposta á pergunta do "quem era o senhor" fora respondida, a partir de que ele adivinhara a minha noção de Dèjá-vu sem eu lhe ter dito ou ter subentendido.

Percebi a indirecte, logo, aproximei-me do bolo. Olhei pormenorizadamente aos detalhes mínimos do bolo, como a sua cor, decorações, tamanho...só depois notei que não tinha olhado ao mais importante facto de todos. Olhei, devagar, ás letras esritas em doce. As letras, sujeitavam cuidado de escrita, e tinham as mesmas do meu nome. O rapazinho tinha o meu nome. Reperei que não fesse Dèjá-vu, mas igual mesmo. Talvez não fosse apenas o nome igual, mas tudo.  Apercebi-me de que a "festa" em que me encontrava era idêntica á minha primeira festa de anos. Não sei como não reparei na minha mãe, pai, irmãos etc.

-Sim, esse rapazinho aí és tu. - Afirmou no meio da minha conclusão - Tudo o que neste momento te rodeia, já foi dito, escrito, respirado, comido. Todas as pessoas que tu vês, são as mesmas pessoas que s encontraram na tua primeira festa d'anos; todas elas se sentam no mesmo sítio, comem a mesma comida, falam as mesmas conversas, respiram o mesmo ar. Tudo se repete, dando origem a acontecimentos que, na verdade, já ocorreram anteriormente.

Estava perplexo. Como seria aquilo possível? Passado, presente e futuro são coisas paralelas. Acabei de chegar e já ficara confuso. Mas afinal, para que chegara eu?

-Mas então... - tentei encontrar as palavras certas. Ele antecipou-se.

-...porque é que te chamei aqui? É simples...toda a gente no mundo, viveu á sua maneira, percorreu o seu caminho. Alguns da maneira correcta, outros da maneira errada. Mas o certo, é que muita gente que errou (e toda a gente erra, apenas uns mais que outros) , diz-se arrependida de que errou. Mas tu, um dia ouvi-te, e houve algo em ti que me chamou a atenção...tu não tinhas a certeza se erras-te se não. Tu pedias desculpa por "qualquer incidente que possas ter causado" e não que "causate". A princípio não gostei, achei que era apenas uma maneira de te livrares do peso das costas. Mas depois, reparei que era realmente sincero, que não tinhas a certeza, e que mostrava um sinal de não hipocrisia: admitias que podias ter errado, mas no entanto não afirmavas  nada. Sentia que estavas a ser sincero. Por isso decidi mostrar-te os caminhos que percorreste, e dar-te a livre vontade de os mudares se assim o desejares. No entanto, não podes interferir directamente "contigo". Apenas te podes sussurar, tentar indicar o caminho correcto. Isto se passará pelos episódios em que tiveste mais dúvidas, e cada episódio simboliza um degrau, até chegares ao topo, á glória. Isso reflecter-se-á no amor, dinheiro, vida social, tristeza, felicidade...Preferia que não interpretasses isto como um jogo, mas como uma hipótese de redenção  e remendo da tua vida.

-Ou seja, tenho de fazer de "anjo-da-guarda" a mim mesmo?

-Mais ou menos isso. Com o tempo perceberás cada vez melhor o que tens de fazer. Por exemplo, olha para "ti" agora: estão-te a cantar o parabéns...lembras-te de alguma coisa?

O que queria dizer com aquilo? Lembro-me de...

...puxar a toalha da mesa e deitar tudo abaixo!

Apressei-me, e corri para o meu pequeno. Estava já pronto para esticar os meus braços e agarrar as "minhas" mãos e impedir o desastre!

-Ah! Nada de interferir directamente!

Pois é...apenas lhe podia susurrar, aconselhar. Não sabia que efeito isso tinha a um "eu" de 1 ano, mas não tinha nada a perder. 

O meu susurro ao meu ouvido, o meu auto-aconselhamento, o meu interferimento...tudo aquilo me parecia estranho. Podera, normal não pode ser!

Não me lembro do que disse, mas o certo é que resultou. O desastre, o escânda-lo do meu primeiro aniversário...nunca chegou a acontecer? Fiquei extremamente confuso.

-Não te preocupes, existem coisas que o facto de não terem explicação é explicação suficiente. - exclamou, quebrando a minha confusão de "isto não é possível".

-Estás-te a referir á Fé?

-Se quiseres... - e soltou-me um sorriso travesso.

De repente, voei de novo, e voltei á escadaria circular.

O 1º degrau encontrava-se limpo, imaculado, e a brilhar. Um brilho branco, que me transmitia esperança e força para dar o próximo passo. Sabia que isto me influenciava fortemente a vida. Sabia que teria de esperar. Sabia que eu podia dar um passo em errado e arrepender-me para sempre. Paciência, arriscaria, esperaria o tempo que for preciso. 

***


domingo, 12 de abril de 2009

"But oh God, under the weight of life, things seem brighter on the other side"

quinta-feira, 19 de março de 2009

Jogo

Adormeci.


Tentei entrar pela janela. Perdera sem chaves e estava demasiado frio para as procurar. Com um joelho apoiado no vão, empoleirei-me para dentro da casa, e o meu peso transferiu-se para frente, fazendo-me cair e aterrar em cima do sofá. O pó espalhou-se e eu recompûs-me.

Olhei para a primeira vez para a divisão. Era pequena e extremamente mobilada...quase como se toda a mobília fosse toda deslocada de todas as divisões para esta.

Olhei para o envelope que aquele vendedor de pão e vinho me dera com as instruções do que devia fazer para "mudar o sentido da minha vida". Já completara a parte de entrar na casa ainda que perdesse as chaves. O próximo objectivo, meio borrado, dizia: "Entar na sala de jogo".

Não quereria dizer "sala de jogos"? Um erro possível e admitível. Não vale a pena dar grande importância a isso.

Percorri a casa de acordo com a planta que vinha no envelope. Encontrei a tal divisão.

Abri a porta.

Subitamente, foi como se tivesse sido mudado para outro sítio. Atrás de mim não existia uma porta, e á minha frente, uma grande pirâmide circular estendia-se á minha frente.

Não percebi nada daquilo. Trovões rasgavam o céu negro infundido de tristeza, e o chão, florido e verdejante aguentava a própria felicidade a meus pés.

Retirei a hipótese de estar a sonhar pois estava demasiado consiente do que fazia...mas por outro lado...nada daquilo parecia real.

Paralisado, imobilizava-me de olhar o envelope. Não parava de pensar porque é que um simples vendedor me dera a hipótese de meter numa espécie de universo super mega alternativo cuja formação eram úm céu queimado, chão florido e uma glória circular.

Os meus joelhos tremiam. Os meus braços mal tinham forças para chegar á boca para a tapar de espanto. Os meus olhos, no meio da efémera tristeza pendida naquele lugar, repousavam noutro envelope, que se encontrava no primeiro lugar da tal glória.

Não queria estender sequer a mão para saber o que estava a dizer lá. Se o primeiro já me trouxera alí, nem me permitia pensar sequer onde aquele segundo me iria levar.

Não podia, não conseguia. Não queria. Éticamente, fisicamente tudo aquilo era impossível.

Pude, consegui: quis.

Estiquei a minha mão. O envelope era branco, e não tinha nada escrito nele...excepto...:"confia"

Demorei a re-tomar a minha decisão. Não sabia se sim.

Obedeci.

Abri o envelope, devagar. Lá dentro, trazia uma folha com um texto.

Obrigado. Foste corajoso, fiel o suficiente para abrires este envelope sem teres qualquer fundamento básico e inteligente para teres sequer uma razão para isso.
Á tua frente encontra-se um jogo, que já deves ter ouvido falar: a glória. Esta glória representa a tua vida. Vais começando cá em baixo, e á medida que vais avançando, subindo, vais ter que fazer sacrifícios até chegares ao topo. Até chegares á glória.
Á medida do jogo, vão existindo ajudas, guias, mãos de ajuda para te ajudar a não arredar pé.
Um conselho: não te abstenhas do que tens.

Consenti.

Pûs o primeiro pé na grande escadaria circular.

***

Já nem me lembrava disto...

...é verdade! Estava a percorrer o youtube para ouvir músicas visto que a minha irmão decidiu desinalar o limewire...-.-

Bom, mas a verdade é que enquanto percorria isto, dei de caras com este vídeo, que, verdade seja dita, ainda me rio com a mistura de foleirice e tanguice...



Hehe, aposto que eles nem devem saber o que estão para alía dizer, mas pronto...

Gosto especialmente do fim, as gafes da montagem...xD

E reparem que na montagem, o da esquerda ainda não tinha a mão partida! Hehe!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Rorscharch

Tu vês tristeza, eu vejo um novo desafio de vida.

Eu vejo uma coisa, tu vês outra, e isso deve-se ao facto de sermos diferentes, e aprende de uma vez por todas que isso não é mau.

Tu vês uma ferida, eu vejo um sinal de vida.

E o que queres que faça se não vês o mundo á mesma maneira que eu?

Mas não te preocupes com isso.

E não somos só nos. Toda a gente. Somos todos diferentes, como se cada um fosse um número. Tu eras o 1.

E por amor de Deus, não te moldes á forma de outra pessoa. E mesmo assim, nunca conseguirias. Tu és tu, e não, nem tu nem ninguém o pode negar.

Mas não te sintas longe. Por muitas vezes, diferentes caminhos se encontram. Os Cristãos dizem Deus, os muçulmanos dizem Alá, mas ambos são o mesmo, apesar que tenham diferentes maneiras de olhar o seu deus, o que também prova que existem diversas maneiras de ver a mesma coisa.

Tu chamas-lhe uma ida. Eu chamo-lhe um regresso.

Chamas-lhe tempo, eu chamo-lhe espera (:

Não percebes? Somos pessoas diferentes, mas iguais.

É como um teste Roscharch. Estamos a olhar para a mesma imagem, mas vêmo-la, interpretâmo-la de maneiras diferentes,

É disso que se trata.

O que vemos. O que interpretamos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Confusão

Está tudo trocado. Ou então antes estava tudo mal, e agora está tudo normal. Não sei, mas mudou. Tudo mudou.

Nós e toda a gente. Isto e tudo.

Está tudo demasiado confuso para qualquer lado que olhe. O que queres que faça? Como queres que indique o caminho se não há estrada assente?

É como se tudo fosse uma árvore sem raíz. Um rio sem nascente, um dia sem ti.

Num dia a árvore está alta e majestosa, o rio azul e brilhante No outro a árvore foi abatida e o rio secou. Nesse dia o que queres que faça? Como queres que me sinta?

Dizes que também não percebes, mas sem tinta a caneta não escreve.

É tudo uma grande confusão, eu sei. Sei que tudo se irá resolver, e tudo voltará exactamente como era. Eu sei. Mas...

Vai tudo voltar ao normal...mesmo? Não sei, e se tu não me sabes dizer, então temo que ninguém possa.

Não me fales da concorrência que não é dela que tenho medo. Tenho medo que o rio não volte a correr.

E não me fales em religião que isso ainda é um '?' a colocar na frase.

Fala-me só de ti...(:

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Desafio

E aqui vai a minha resposta. É pena os únicos desafios que me fazem serem destes, mas enfim. E depois, para este não ser um capítulo (in)acabado, não vou quebrar a cadeia...


Ainda demorei um pouco tempo para saber para é que isto servia. Claro que depois cheguei á conclusão de isto não servia para nada além do divertimento...


Apetece mesmo acrescentar outro "6" não apetece?



Regras:

  1. Publicar o link da pessoa que o/a nomeou; (já tá lá em cima...)
  2. Escrever as regras no blog;
  3. Contar 6 coisas aleatórias sobre si;
  4. Indicar mais seis pessoas e colocar os respectivos links no final do post;
  5. Avise as pessoas que indicou, deixando um comentário nos seus blogs;
  6. Deixe os indicados saberem quando publicar o seu post.

6 "factos" sobre mim:

  • Não gosto da maior parte dos chocolates;
  • Por muito que muitas pessoas achem, eu NÃO sou francês, sou português;
  • Comecei a gostar de ouvir Michael Jackson;
  • Conheço uma pessoa que nunca viu nenhum dos "Senhor dos Anéis", nem nenhum do "Star Wars", e se eu não lhe tivesse mostrado, nunca tinha visto nenhum dos "Matrix" (:O);
  • Descobri da maneira errada que não se podia pôr nem ferro nem metal no microondas;
  • Demorei mais tempo a pensar na primeira coisa do que no resto dos factos.


6 Blogs nomeados para este desafio que não sei quem é que vai verificar:

Fico á espera...:)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Opostos

Todos os dias.

Todos os dias aprendo uma coisa nova, por mais estúpida ou insignificante que seja.

Mas ás vezes não são. Algumas são capazes de mudar vidas, de fazer mudar de escolhas, de caminhos.

Ainda há algumas semanas atrás, sempre que acontecia alguma coisa, e descobria que esta era o oposto, virava-lhe as costas. Depois, (obrigado hugo :) ) vi, ouvi, senti alguma coisa que me fez mudar. Ouvi.





Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball

Não pude deixar de ficar com isto como forte suporte de vida.


Então, parei de ir com a corrente, e começei a ir contra ela. Talvez isso me ensinasse alguma coisa.

Aprendi: os opostos atraem-se.